segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Marcas do passado

Hoje é uma segunda-feira cinzenta e comum.

O sol não faz visita.

Na verdade, todas as segundas-feiras são assim.

Dentro de muitos corações tudo é tão frio.

Sentem tanta falta de um passado esquecido; um passado de sol, primaveras e sorrisos sinceros; um passado de sonhos puros e esperança; um passado que aqueceu corações sensíveis.

Um passado...

Que passado? Nem se lembram mais...

Só restaram cinzas e um presente vazio, pálido e sem vida.


(Alguém, de uma janela qualquer, em algum lugar do mundo, deseja esquecer o seu passado em queda livre.)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Aliança e juramento


TODOS OS DIAS
Quero passar todos os dias
da minha vida dizendo
"eu te amo
e te quero
para sempre
ao meu lado".
Quero cantar
mesmo sem saber,
escrever poesias
mesmo sem rimar,
só para te mostrar
que és tudo para mim.

E o meu amor por ti
será eterno.

11/07/2007

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A outra parte

O desespero da paixão causa um emaranhado de sentimentos e sensações. O outro torna-se parte de nós.

Gosto da idéia de infinito, de dizer: quero-te pelo resto da minha vida.
Na verdade estamos sempre à procura da nossa outra parte que nos completa. A falta dessa metade é como se faltasse um pedaço do nosso próprio coração.


Quem já encontrou a sua parte, encontrou um tesouro. Cuide bem dela como quem cuida de sua própria vida.


Quem ainda não a encontrou, não desanime. O amor foi feito para todos, todos têm o direito de encontrar uma grande paixão ao menos uma vez na vida, mesmo que não seja para sempre.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Semente / Tempo

Sou semente.

Na terra seca sou semente e quero vingar.

Há um mundo inteiro a ser erguido.

Centelhas de bondade e de esperança germinarão.

Um novo tempo de milagre baterá à porta.

Será tempo de colheita ao coração machucado, à espreita, ansioso...

Tempo de viver.

Sonho pós-moderno


Assisti, em sonhos, ao meu acidente literário em praça pública.

Diante de uma platéia de curiosos, agonizante, num palco de concreto, declamei minha morte alternativa, porém meu fluxo de inspiração ficou desajustado e palavras desconexas libertaram-se do nada da minha mente.

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* * * * * * Creio

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Credo

* Crido

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * Pai poderoso pobre

* * * * * * * * * * * Cristos mortos amém



* Caso caso casulo


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Cosmopolita


* * * Prece preceito preconceito


* * * * * * * * * * * * * * * * * Basta bastardo brasa


* * * ** * * * * * * * * * * * * Pragas Pragmatizado


Desencanto * * ** * * sem canto * * * * * * * * * sem partes


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Alienado aflorada afora
*Despoetizado

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Out of date

(Pedaços de poemas na calçada, pisados pelos transeuntes que não sabem para onde vão.)

Reset


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Acordei assustado, sangrando e vomitando poemas pós-modernos.

Introspecção

Escrevo por compulsão.

Não sei o que escrever, mas escrevo.

As palavras me escravizam e me libertam. É uma relação paradoxal entre criador e criatura.


Realizo-me na introspecção, na solidão na alma.

A melancolia é conforto e me faz sentir mais – dores e misérias alheias são minhas também. Acostumei-me a sofrer pelo mundo.

As lágrimas insistem em querer cair. Faço força pra impedi-las, faço-me de forte, mais forte do que na verdade eu sou. Mas me sinto bem assim.

Continuo diante do computador, não encontro meu reflexo na tela: encontro apenas um mundo vasto de ilusão e solidão virtuais (reflexos dos esconderijos que nossas almas se acostumaram a construir).

Onde está o mundo real? Onde posso respirar, sentir calor humano, fazer parte do mundo?

Em alguma parte de mim estou escondido, adormecido, prestes a explodir e expandir meus conceitos, minhas anarquias, minhas fraquezas e minha subjetividade.

De todos os pesares, o que mais me fascina é a possibilidade que tenho de ser eu mesmo.

O tempo me escorre pelos dedos

Estou enlouquecendo... Por causa do trabalho, dos estudos, da preguiça e do desânimo que hoje me consomem.

Talvez um dia alguém bata à minha porta com um sorriso e me traga notícias de sonhos distantes, fale de mundos desconhecidos e ainda não corrompidos, de coisas que já havia esquecido...

Não tenho novidades para contar. A última já nem me lembro mais quando contei... E por não me lembrar mais (se é que existiu um dia), deixou de ser novidade – já é passado.

Há muita gente por toda parte e muita solidão dentro de cada um. No fundo todo mundo é sozinho em meio à multidão, não sei por quê.

Eu queria poder voar, sorrir, andar despreocupado, sem compromissos e sem hora para tudo. Estou de saco cheio de ter hora marcada, por isso faço questão de me atrasar para ir ao trabalho ou à universidade. Para que correr?

O tempo me escorre pelos dedos, a idade deixa marcas aqui e ali... Mesmo assim não tenho pressa.


Já corri demais e ganhei muito pouco. Hoje quero continuar meu caminho, colhendo utopias como quem colhe rosas. Mas sem pressa.

O que existe é o que está acontecendo, é o presente-produto das lutas e das decepções de cada dia.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Renascendo


Não quero formas humanas perfeitas.

Quero, antes de mais nada, conteúdos humanos perfeitos, simplicidade, sensibilidade, desejo puro e sem máscaras, magia que seduz.

Saiam fora da minha frente os que gritam, os que perdem a paciência por nada, os que se vangloriam por se acharem maior que os outros por causa de sua posição sócio-econômica.

Fiquem bem longe de mim!

Não quero ver na minha frente pessoas racistas, preconceituosas, que oprimem e criticam os que não vivem de acordo com suas regras hipócritas.

Quero a liberdade do ser humano de forma integral, sem condições. Não me venham falar em moral e virtude, em puritanismo e demagogia.

Quero consistência nas relações, limpidez nos sentimentos, espaço para crescer, para superar barreiras... Quero ser semente e girassol, amante apaixonado do mundo, folha verde, profundidade, lagarta / borboleta, eclosão de sentidos, gozo, orgasmo, nirvana...

Quero ser esperança nesta vida em meio ao caos anunciado. Quero ser a antibomba apocalíptica: o botão da flor que a criança segura sem medo e sorri.


A chuva passou, os mortos calaram-se, os vivos erguem-se, o azul cresce em meio ao cinza...

A vida sobrevive, renasce em meio aos escombros, na geleira dos corações sem compaixão.

Somos a resistência dos ideais, dos diferentes que erguem a bandeira na luta por direitos iguais.

Fora do caminho, hipócritas! Estamos passando.

E queremos vida.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Transgredir


Não quero a austeridade da santidade.

Quero a embriaguez do pecado, a liberdade dos sentidos, a intuição, o desejo.

O artesanato das idéias, a laboriosa fadiga de viver e construir.

Quero complexidade e humanidade.

Necessito respirar, existir, transgredir conceitos e tradições.

Eu sou eu, de corpo e alma, fonte inesgotável de sonhos e possiblidades, ainda que a razão diga não. Sou do tamanho do mundo. Sou parte de tudo e de nada espalhado por toda parte, com desejo de interagir.

Digo: EU sou, EU quero, EU posso.

Meus trinta e um anos com Machado de Assis


Eu sei: neste ano comemoramos o primeiro centenário sem o grande escritor Machado de Assis.
Assim, vemos as escolas preparando homenagens, feiras de livros dando ênfase ao nosso escritor, concursos... Enfim, os meio literários e acadêmicos fazem tudo para mostrar a importância desse homem. Compreendo bem isso e concordo: ele merece todas as homenagens (possíveis e impossíveis) por tudo o que ele nos deixou escrito.

Mas meu caso com Machado de Assis não passa pelo centenário de sua morte. Minha história com ele se baseia na sua vida literária. Logo, para mim ele continua vivo, falando nas palavras, nas construções semânticas e sintáticas que pululam aqui e ali, com sentidos vários, como se ele risse da nossa cara, mostrando o que aparentemente encontra-se encoberto ou nas entrelinhas: “Mas você não está vendo?”, é a voz que ouço no funda da minha consciência.

É verdade! Nem tudo o que parece ser de fato é. E a magia do Machado é esta: fazer com que o leitor pense, reflita, sinta, tire conclusões, acompanhe o seu raciocínio. (Neste momento sinto que agora, sabendo que eu escrevo sobre ele, Machado de Assis novamente está rindo, desta vez sem a sua sagaz ironia, mas de satisfação.)

Mas, como eu estava dizendo (meu Deus, estou cometendo digressões, tal como Brás Cubas em suas memórias póstumas!), meu caso literário não se passa pela comemoração de seu centenário funesto. Isso porque eu não o conheci em vida, então não posso dizer que ele morreu. (Eu sei o que vocês estão pensando: eu estou sendo irônico como o nosso escritor). Tudo bem, talvez seja verdade, mas minha relação com ele se dá em vida, pulsa nas suas palavras, nas suas histórias, sejam as puramente simples e românticas, sejam as realistas mais complexas.

O que estou querendo dizer é que Machado está vivo para mim, ele fala comigo em seus livros, pela boca de Bentinho, Capitu, Escobar, Brás Cubas, Aires, Quincas Borba, Helena, entre tantos outros... Ontem mesmo ele me falou algo através de Bentinho, que logo percebi: “Lá vem você de novo! Não, meu amigo Machado, você está querendo me enganar de novo. A resposta está do avesso!”

Compreendê-lo não é nada fácil, mas conheci uma professora de Literatura na faculdade chamada Regina, que conversa com ele há muito mais tempo que eu e me ensinou a conversar com ele também, a ouvi-lo e tirar conclusões. Mais: ensinou-me a admirá-lo como poucos merecem. Desde então, não paro mais de conversar e trocar idéias com esse amigo-gênio literário.

São meus trinta e um anos com Machado de Assis, o maior escritor da nossa literatura. Vocês podem comemorar o centenário da sua ausência, façam o que bem entenderem: festas, missas, minuto de silêncio, recitais... É um direito de vocês. Mas me deixem aqui comemorar meus trinta e um anos com ele, vivo na memória e em cada palavra, em cada história, em cada livro que ele ousou escrever, tornando-se assim eterno pela palavra – a palavra bem usada, apaixonante, apaixonada. A palavra de Machado, com louvor, humanamente divinizada em meu (nosso) mundo.

Compreender uma mente tão complexa como a dele não é tarefa fácil para qualquer um. E, me desculpem, quem quiser uma leitura fácil que vá ler Paulo Coelho! Estou mentindo?
Aos leitores e apaixonados por Machado de Assis como eu, só resta dizer: “Que assim seja, amém!”