sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Greve das palavras (desconectado)


Fim de mais uma semana.

Novas possiblidades.

Cansado.

Estou em greve das palavras.

Desconectado.

Voltarei na segunda-feira.

Adeus.



quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Desabafo e palavras ao vento de alguém/ninguém que grita no silêncio buscando humanidade

Não sei de nada.

A humanidade parece caminhar na contramão.

Atropelando a vida, emboscando sonhos, matando esperanças, a turba desgovernada segue o seu (des)caminho.

Não sinta. Não deseje. Não queira demais. Esta parece ser a lei.

Por toda parte, seres humanos (desumanos) feitos de mármore, insensíveis a toda sua dor, ao seu desespero.

Não grite, não vai adiantar. Eu também já tentei chamar a atenção. Em vão.

Utopias, ilusões, nada mais que isso...

Quantas crianças ainda terão que morrer até que aprendamos algo sobre o futuro e sobre a esperança?

Quantos jovens continuarão alienados até que um dia haja respeito e liberdade, oportunidade e dignidade, consciência e direitos iguais?

Talvez eu seja tão somente um alucinado, um pseudo-idealista catando meus cacos, meus restos na calçada fria e imunda, diante da multidão (manilha, autômatos, ignorantes) que passa diante de mim e não percebe a minha existência.

Quero viver, quero crescer, quero ser eu mesmo, quero oportunidades para me desenvolver como ser humano, não como bicho.

Talvez um dia, quem sabe. Mas hoje não. Hoje só existe a noite fria e a certeza de que estou desprotegido numa terra de grandes construções de cimento, mas poucos corações, procurando encontrar pessoas que se dêem as mãos... Pessoas que eu possa chamar de irmãs.


Ass.: Um alguém desconhecido qualquer, um ninguém sem passado, sem presente, sem futuro, mas que ainda sonha, apesar de viver o pesadelo real da vida.

Quando não estás aqui...


TREVAS EM MIM
Faz sol,
mas dentro de mim
faz tanto frio.

Só a tua presença
pode me aquecer,
me deixar feliz.

Não estás aqui.

09/08/2007


LONGE DO PARAÍSO
Pareço não existir,
nada mais tem importância para mim,
nada mais faz sentido.

Sem ti não quero alcançar o céu.

09/08/2007


POR TODA PARTE
No céu, no ar, no mar,
na flor, na borboleta, na esperança...
Estás por toda parte,
em tudo o que vejo, em toda beleza,
em tudo o que existe.
Estás eternamente em mim.

08/11/2007


FRIO, FRIO...
Gotejam
lágrimas.

O olhar triste
silencia.

Eu sou muitos
sentimentos,
muitos sonhos
num só rosto.

Só que sozinho
sinto muito frio...

15/11/07


ÚNICA
Aonde vás?
Fica um pouco aqui.
Tens tanto carinho a me oferecer
que o tempo pode parar.

Onde estás?
Estás na lembrança,
nos sonhos mais íntimos
que sonhei acordado,
na flor mais pura,
no botão que vai abrir.

Estás sempre em mim,
única rainha e soberana
do meu coração!...

15/01/2008


POR TODA PARTE
Cedo demais...
num beijo, volúpia da alma,
os sonhos florescem
e o broto rejuvenesce
antes de nascer.

Tarde talvez...
para sentir com a razão
quando a emoção fez ninho
ao coração.

O tempo não importa mais...
na verdade, tudo o que não se traduza
em desejo e união de almas
não é digno de veneração.

Ah! Amar...
devanear na loucura da mente
que se torna sã num olhar apaixonado
e se revela púbere pelo ar,
simples simetria dos desejos,
anjos que pecam inocentes
no paraíso, em segredo.

Palavras?
Não mais.
O silêncio fala pelo coração
e provoca doce agonia
por consideração.

15/01/2008


EU-ESTRANHO
Perdi a vontade de tudo...
me abandonaste e a solidão machuca.
A vida perdeu as cores,
a dor encontrou brecha e ficou.

É tarde...
Preciso ir...
Não voltarás...
A esperança me deixou.

O amor às vezes fala línguas estanhas...

12/03/2008


O MUNDO SEM TI
Sem ti
nada faria sentido.
Sem ti
dize-me: o que seria de mim?

Andaria às cegas,
incriminaria o amor,
teria dias frios sozinho
pois sozinho eu sempre seria,
se não existisses em mim.

Sem ti
A vida perderia as cores.
Sem ti a flor da manhã
seria sempre murcha.

Falaria sem saber
das coisas que não vivi,
dos sonhos que nunca sonhei,
das alegrias que jamais provei
por não existires em mim.

12/05/2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eterno pela palavra


ETERNIDADE
Quero deixar uma história,
ser eterno pela palavra.
Sim, serei eternamente eterno
por tudo o que ficar.

As palavras têm poder,
têm fascínio,
falam por si mesmas,
transformam corações
e podem mudar
o mundo,
o futuro,
a humanidade.

As palavras parecem de carne,
têm sangue,
são apaixonadas,
apaixonantes,
podem construir
e destruir.

Quero permanecer na história
pela palavra
por mais simples
que seja.

Assim seja.

(15/11/07)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Em comunhão com o outro

“Bom dia!”

“Como vai você?”

Estou com saudades!”

“Senti sua falta!”

“Precisa de alguma ajuda?”

“Você é muito especial!”

“Sua presença é muito importante!”

Conte comigo para o que precisar!”

“Eu amo você!”


Coloquemos a mão na consciência: quantas vezes já dissemos isso hoje? E nessa semana? E na semana passada? E nesse mês? E no mês passado? E durante esse ano? E durante toda a nossa vida?

Se você perdeu a conta de quantas vezes já usou essas expressões (com sinceridade e espontaneidade, não como mero formalismo), meus parabéns: você ainda sente num mundo que já se desacostumou a sentir e a se preocupar com o outro.

Se você coçou a cabeça e ficou tentando lembrar (buscando no fundo do baú esquecido da memória) a última vez que usou alguma gentileza ou se preocupou com o bem-estar do outro, alarme-se, preocupe-se: você está sendo cada vez mais consumido pelo mundo ultra-individualista e competitivo, que o faz pensar que o mundo está contra você e é preciso eliminar inimigos para ser feliz e vencer na vida.

Precisamos uns dos outros, precisamos criar laços de amizade, aproveitando ao máximo os momentos com as pessoas que amamos, olhando o outro nos olhos como alguém que também sente e precisa de carinho, de atenção, de cuidados especiais.



Nossa subjetividade também é muito importante, mas não podemos nos esquecer da riqueza do outro. Eu me torno uma pessoa melhor na medida em que me relaciono com o outro, deixando um pouco de mim com ele e levando um pouco dele em mim. Só aprendemos e ensinamos em comunhão com o outro.

Talvez um dia acordemos para a necessidade que temos uns dos outros.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Despertando...


Cala e esquece.
Consente.
Revolta-se.

Desmente
se preciso for.

Seja prudente,
inconsequente.

Canta, chorra, sorri.

Vive para si.

Espera,
segue adiante.


Querem te calar,
querem te matar,

querem te impedir.

Resiste.

A noite se foi.

A tempestade persiste.

Perde-se dentro de si,
na loucura, no devaneio.


Desperta
e acorda renovada.

Um mundo inteiro
se esconde do lado de fora.

Acredite, minha amiga...

Vive,
ama intensamente,
pois apenas isso nos resta,
apenas isso nos importa nessa vida.

(Paulo Avila, 25/08/2008)



Os caminhos e descaminhos do Amor



Ouço muita gente reclamando do amor.

Muitos se dizem insatisfeitos no relacionamento ou dizem até mesmo que o amor não existe.

Aí acabam preferindo ficar sozinhas... Muitas vezes por medo de se machucarem novamente.

Outros nunca amaram (ou nunca foram amados) e pensam que nunca vão encontrar alguém para partilhar a vida e olhar na mesma direção.

Solidão é o resultado da renúncia em amar, ainda que não assumam isso.

Amar e não ser correspondido – ou ser mal correspondido – é uma dor que deixa marcas por um bom tempo no coração.

A cicatrização dessas feridas é sempre um processo muito lento.

Como curá-las?

Com certeza, apaixonando-se novamente, abrindo o seu coração sem medo a um novo amor.

Aí dizem que o amor é imperfeito por causar dor e fazer tanto mal. Não acredito nisso. O problema, às vezes, é que nós é que somos imperfeitos e muitas vezes não sabemos amar.
O amor é o sentimento mais nobre, belo e perfeito que existe no mundo. Ele não se limita ao amor romântico: também serve de passaporte para outras experiências, como a compaixão, a solidariedade, a fraternidade...

E quando se encontra o verdadeiro amor, o coração bate mais forte, tudo fica mais bonito, a vida ganha novas cores...

O amor é o bálsamo que pode cicatrizar todas as feridas. Quando se acredita no amor, acredita-se também na vida, na humanidade, em Deus.

E quando se passa a acreditar em tudo isso, perde-se o medo de viver, volta-se a ter esperança em dias melhores, puros, especiais (ainda que simples). É como abrir a janela numa bela manhã e sentir o perfume das flores no jardim. Amar é assim.

Por muito tempo duvidei do amor, até o dia em que encontrei alguém que me fez novamente acreditar nesse sentimento. E com ela sou feliz e realizado.

Todo mundo pode viver um amor verdadeiro. Mesmo na mais bela flor há espinhos, mas basta ter cuidado e carinho, pois sentimentos como esse exigem de nós sensibilidade, respeito, dedicação e entrega.

O amor é o sentimento para os corajosos que sentem de verdade com o coração.


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Esperança entre incertezas


O amanhã parece incerto...

Mas mantenho viva a minha esperança.

Estou errado? Creio que não.

Logo as pessoas abrirão os olhos, as mentes, os corações...
Todos voltarão a sorrir. Serão simples, humildes e repletos de compaixão.
E o mundo será perfeito um dia. Será um grande mutirão de sonhos e realizações.

Basta cuidarmos do HOJE.

Destituídos


Estranho... Muitos não vivem. Sobrevivem de migalhas, de piedade e de hipocrisias alheias.

Andam pelos cantos farejando restos, implorando pelo que lhes deveria ser garantido por direito.

Sofrem resignados. Não têm mais nome nem dignidade. Vivem do acaso.

Pior: já nos acostumamos com isso, estamos com os corações endurecidos. A miséria e o sofrimento alheios nos causam indiferença. Para muitos causa asco, repugnância.

Tudo parece tão normal, comum, corriqueiro, sem importância...

É o fim do mundo, infelizmente. O início de um novo mundo egoísta.


DESTITUÍDOS
Antes era o nada.
Agora o nada nem mais existe.
Em mim pouco menos que o vazio
e o desejo ignoto de ser parte de um todo,
parte da humanidade,
parte dos cacos,
parte de nada.

Amanhã, talvez,
renasçam sonhos,
esperanças,
expectativas,
sociedades e filantropia.

Mas hoje só existe o aborto que é a vida,
o terrível engano de existir,
a tragédia dos doentes,
a farsa dos poderosos,
os cães e as crianças que farejam lixo.

Pessimismo é a palavra que me traduz hoje.
E com o pessimismo a vontade de nunca mais existir,
de regredir ao útero e descansar.

Ser sombra e não ser notado,
espectro doentio e ignóbil
no silêncio do porvir,
na quimera morta,
na irressurreiçao dos mortos.

Cega-me com as trevas;
emudece-me com as palavras soltas e bastardas;
promove meu declínio, minha falta de paz;
escraviza-me, mutila-me para sempre.

Estarei feliz assim.

(12/03/2008)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Aos tristes, solitários e desamparados


Muitos, neste exato instante, sentem-se tristes, solitários e desamparados no mundo.

Parece que seus dias são de plástico, perecíveis ao tempo. Perdem-se nas prateleiras, esquecidos, com validade vencida.

Parecem gastos pelo tempo.

Eu os compreendo muito bem.

Um sorriso de soslaio, uma flor oferecida com carinho, um abraço, uma palavra amiga, uma carta, uma forma de se sentir lembrado, de se sentir especial... Às vezes isso é tudo de que precisam.

Muitas vezes não conseguem nem mesmo chorar.