sábado, 26 de fevereiro de 2011

Niilismo da Alma


O nada me consome.
Tenho sentido falta de tudo,
menos de mim.

Tenho feito planos impossíveis,
planos de morte,
planos de sonhos.

Tenho feito tudo errado,
tenho andado mais triste que de costume,
tenho me sentido vazio, oco.

A vida segue um rumo diferente do meu.
Estou na contramão
ou será que virei de costas para a vida?

Traí a minha própria confiança,
sou assim mesmo,
validade vencida.

As rosas no caminho morreram,
só tenho vontade de chorar
e esquecer quem eu sou.

(Paulo Avila - 26/02/2011)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Renascer...

Tenho sentido falta das palavras. Elas saíram da minha boca, das minhas mãos, do meu coração e me abandonaram...
Tenho sentido falta de mim... Dos livros que li e dos que ando prometendo ler há tempos...
O trabalho, essa vida corrida e tantas vezes sem sentido muitas vezes  tem me deixado desanimado.
Preciso renascer para mim...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cansaço


Cansei-me dos meus versos,
do meu rosto no espelho,
das minhas roupas,
de mim.

Joguei tudo fora
pela janela do descontentamento.
E agora, o que sou?

Estou tentando me reconstruir,
estou tentando me redescobrir a cada dia.

Sou um reflexo do que ainda não sei.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sem palavras


Estive ausente das palavras. Na verdade, acho que ainda estou.

Parece que, quando se encontra o amor, perde-se a inspiração.

Estou feliz e escrevo versos de amor para ela. Mas a inspiração foi-se embora.

É o preço que um poeta paga por se apaixonar pela musa.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Revelando-me


Quem eu sou?

Sou resultado de mim e dos sentimentos que me afloram.

Um pouco mais velho, mais cansado, com marcas no corpo, na alma e no coração.

Enraizados em mim ideologias que inventei, canções, poemas e romances – sou um conjunto uniforme das minhas sensações e das minhas dúvidas.

Sou eu e o mundo...

Que mundo? Quem eu? Quantas primaveras nasceram e morreram em mim?

Existo. Resisto. Permaneço.

Com a crença inabalável de desconfiar de quase tudo e de acreditar em quase nada.

Espero. Tenho esperança mesmo assim, embora niilista.

Sou a contradição em coração, carne, ossos, nervos e sentimentos.

Doce e amargo. Repleto e vazio. Antitético e paradoxal. Limitado e infinito. Anjo e demônio, santo e pecador, tudo e nada. Milhões e único.

Quem eu sou? Ainda não sei. Estou tentando descobrir.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sina


Não sei se tenho caráter;
tenho sido péssimo em tudo:
no trabalho,
em todas as minhas relações,
em todos os projetos,
em todos os versos que tento criar.

Tenho sido um injusto,
um farsante,
um pecador capital,
um ser digno de pena,
desprezível por quem passa e diz:
“Aquele é um pobre diabo!”

Talvez se eu tivesse vivido
nos tempos de Cristo
teria sido perdoado,
teria sido amado,
teria sido ao menos compreendido.

Mas não!
nasci em meio aos lobos,
em meio aos indiferentes
que não quiseram me dar a mão.

Por isso caí
e agora nem ouso mais me erguer;
minha vida é um grande engano,
não mereço respirar o ar que todos respiram,
não mereço nem a menos ser chamado filho do Altíssimo.

Mas não deveria ser eu um bem-aventurado?
Por ser nada, não deveria ganhar o Reino dos Céus?
Talvez a minha soberba seja um empecilho
para herdar as promessas divinas.

Por isso não me iludo;
excomungado e ridicularizado,
permaneço no caminho mais difícil
com a triste sina de ter esperança e fé.

Paulo Avila

Nostalgia


Não quero estar aqui,
não quero estar em lugar nenhum.
Quero a solidão e as ilusões
que colhi no meu jardim.

Estou tão perto de mim,
tão perto de me perder,
tão certo quanto as quimeras
que encontrei pelo caminho.

Faremos bosques e arco-íris
dos sonhos mais bonitos.
das mágoas e dos desastres
deixaremos lições.

Farei de mim alguém mais feliz,
alguém que tem vontade de vencer,
alguém que em algum lugar
esqueceu o sorriso.

Ai de mim se não me disciplinar,
se não mantiver a sanidade,
se não constar prazo de validade,
se me matar de saudade.

Saudade de quem?
Talvez de mim mesmo,
da infância que vivi
e do homem que não me tornei.

Paulo Avila

O canto do cisne

Tanto faz
se chove ou se faz sol,
meu espírito é sempre o mesmo
nublado e angustiado.

Sei tudo sobre tudo o que não sei,
tenho ânsia de mudar,
de transgredir,
de ser melhor.

Mas esbarro sempre em mim mesmo:
Sou meu grande inimigo,
meu algoz, meu impostor,
meu lado mais podre
que se revela como uma flor
na primavera doente.

Decente?
Já deixei de ser.
Espírito sujo e amarrotado
encontrado na sarjeta,
no lixo da consciência humana
mais suja que tudo.

Não faço mais promessas de ser melhor,
nada disso me importa mais.
Assumo toda forma de deficiência
física, moral, psicológica ou espiritual.

Deixe-me ser doente,
discípulo tardio de Augusto dos Anjos
e Álvarez de Azevedo à beira da morte
agonizando no leito de um mal incurável.

(Morto e enterrado em vida.)

Paulo Avila

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sob o céu

A tarde cai cinza sobre mim
e meu olhar é triste enquanto caminho sozinho.
Será que todo mundo é feliz nesse mundo
ou sou eu que não consigo me contagiar?

Parece que o mundo não foi feito para mim;
parece que a vida é uma grande festa
e eu entrei por engano sem ser convidado.

Eu nada mais quero, nada mais espero, nada mais almejo.
Apenas o frio do concreto corre em minhas veias
(insensibilidade à prova)
mas não sei por que,
continuo sensível ao extremo.

Apesar de tudo, não choro com frequência,
brinco de me esconder com Deus
e ele nunca me encontra
(acho que ele não quer me encontrar).

(Paulo Avila)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Identidade


Acho que todos nós perdemos um pouco do que somos e dos sonhos que um dia cultivamos na alma. Mas, após as decepções e a perda inevitável da inocência, sempre fica algo guardado em algum lugar dentro de nós.

Ser feliz é uma necessidade nossa, e sabemos que podemos ir muito mais além do que acreditamos ser capazes. Ficar preso a um passado que nunca mais voltará não irá nos ajudar em nada; construir algo novo é uma exigência do coração, para que possamos voltar a sonhar e a nos reconhecer novamente. Para resgatarmos novamente o nosso grande tesouro: a nossa identidade.

O sorriso da infância, os sonhos, as aspirações e inspirações estão dentro de nós, como sempre estiveram. E ainda podem despertar.

Depende de cada um de nós. De mais ninguém.