quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Felicidade do Poeta sem inspiração


Acho quer perdi a inspiração.

Tenho tentado escrever poemas, mas nada me deixa satisfeito. Desfaço-me de todos os rascunhos, de todos os esboços. Às vezes não consigo nem mesmo formular um verso que me faça feliz.

Acho que não sou mais poeta... No poema “A um passarinho”, Vinícius de Moraes disse:

“Não sou mais poeta / Ando tão feliz!”

Eu me sinto assim. Ando feliz com a minha vida, estou casado, amo e sou amado, tenho meus amigos... Estar feliz parece não ser uma característica para quem escreve versos. Para se escrever é preciso entrar em contato com a dor mais íntima, pois todo poeta se expressa através do sofrimento, da introspecção e da solidão da alma.

Preciso me sentir pelo menos um pouco triste para voltar a escrever. Mas poderei eu abrir mão desse sentimento por causa da poesia? Será que o preço de encontrar o amor é perder o dom de escrever? Será que a musa, quando tocada e tirada do pedestal santo, tira-nos – em troca do coração – a poesia?

Sei apenas que amo e sou amado, e o dom de poetar fugiu de mim.

Para sempre? Não sei.

Aguardarei.

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