quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Mais uma vez é Natal


Mais uma vez é Natal... E o que fizemos?

Quantos sonhos transbordaram a nossa taça? Quantos presentes recebemos e distribuímos? E a ceia, já preparamos?

No entanto, é preciso pensar mais que isso: torna-se necessário pensar na essência do Natal, no que podemos vivenciar com esta data tão importante. Não basta acharmos o Natal bonito, que acontece todo dia 25 de dezembro, é preciso vivê-lo a cada dia.
Quantas vezes perdoamos? Quantas vezes pedimos perdão? Quantas vezes fomos uma presença amiga para nosso irmão? Quantas vezes distribuímos sorrisos, carinho, fé, motivação e força às pessoas tristes, solitárias e de coração amargurado?

Quantas vezes enxugamos lágrimas, curamos feridas, fomos uma centelha de esperança na escuridão ou o sal que dá sabor à vida de quem perdeu toda a vontade de viver?

Não queremos fazer competição ou promoção pelo bem que dispensamos gratuitamente. Este não é o nosso papel. Mas se ainda estamos longe de sermos para o outro uma presença amiga e se não conseguimos promover uma vida melhor para quem está à nossa volta, devemos nos alarmar: estamos ainda longe de celebrarmos verdadeiramente o Natal.

De nada adiantará trocarmos presentes e enfeitarmos nossa casa, se o nosso coração está frio, vazio de amor e compaixão.
Se não entendermos que o Natal nos leva a um compromisso com a humanidade, de nada adiantará todos esses momentos celebrativos próprios desta data. Pois o Natal acontece todos os dias quando nasce a esperança em um coração, quando a alegria brota em um rosto cansado, quando a fé está presente em um lar, quando somos solidários, quando a bondade e a ternura se fazem presentes no dia a dia, em cada gesto, em cada olhar, em cada palavra. Natal é mais que comemorar uma data: é vivenciar os sentimentos mais nobres que o ser humano pode ter e oferecê-los a quem encontrarmos pelo caminho. Assim como Jesus, o grande aniversariante (embora muitas vezes esquecido), fez durante toda a sua vida.
Então é Natal! Para o branco, para o negro e para o indígena. Para o rico e para o pobre. Para os que sorriem e para os que choram. Para os que se fartam e para os que passam fome. Para os que têm saúde e para os enfermos. Para os que vivem de esperança e para os que já perderam a fé pelo caminho. Para os que se doam e para os que só pensam em si. Para os católicos, para os protestantes, para os espíritas, para os muçulmanos, para os budistas e para quem não tem religião. Para quem vive de ilusão e para quem faz a sua história com coragem e determinação.

É Natal para mim, para você e para todos nós! Então, vivamos o Natal refletindo sobre o verdadeiro sentido que esta data realmente significa e que possamos ser uma luz para aqueles que se encontram na escuridão e buscam uma saída.
Natal é mais que ser feliz: é fazer o outro feliz e realizado.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Incertezas


Quantos mortos?
Quantos esquecidos?

Sem amor,
sem pátria,
sem sonhos.

Um mundo às avessas
celebrando desgraças à luz do dia.

Derradeira culpa:
quantos os feridos?

Ninguém sabe,
mas saiu no telejornal;
desvalidos famosos,
românticos do pós-modernismo
com uma tarja preta na primeira página.

Esqueceram a esperança:
ela não está aqui há muito tempo
(ou não se pode mais vê-la...).

Terra seca,
coração machucado,
insensibilidade à flor da pele.

Não se desespere:
o futuro é incerto.

Quem sabe amanhã o amor renasça...
Quem sabe outro dia...
Quem sabe...

Paulo Avila

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Alguns versos para ti, Silvana! (Parte II)



TOQUE DA ALMA
Sinto teu perfume.
Teu sorriso se espalha
pelo ar.

Tua beleza pública
é só minha
e de mais ninguém.

Ratifico meu amor por ti
a cada flor,
a cada nova estação,
no sentir do coração.

Assim espelhamos o beijo
no toque da alma,
eternamente
consentimos
em união.

19/11/2008



MINHA ESPERANÇA
Quando as esperanças se forem
nesse mundo que já não sente,
esperarei ansioso
por ti.

Quando os sonhos se dividirem,
Sei que me partirei em vários
e me multiplicarei em ti.

Não haverá acaso,
não haverá remorso,
não haverá sentimentos vãos e perdidos.

Haverá flores pelo nosso caminho
e sinceridade em cada troca de olhar.
Haverá a certeza de futuro para nós.
e primaveras eternas em nosso jardim.

19/11/2008



PEDAÇO
Sorria, amor!
A tua vida e a minha se uniram pela alma
e agora somos mais que felizes.

Cante, amor!
Cante a nossa vida
e tudo o que se traduza em desejo e harmonia.

Sonhe todos os dias, amor!
E assim tudo se tornará realidade
quando nossos horizontes se encontrarem.

Seremos sementes,
seremos o broto,
seremos a fonte.

Tão simples assim.
A causa? O amor,
esse pedaço de Deus que habita em nós.

19/11/2008



Pós-modernizado



Mar amarrando alastrando

Navegando

Singrando sangrando ensejando

Luz pôr depor depois do sol só solidão

Imaginação

Ilusão – mais e porém

Escombros encobrindo a face rubra rude rubi

O gosto do desgosto

Destinando destinos remotos – descontrolados

A queda do quedante pedante farsante

Entre estradas e abismos e absintos

Abismado

Asfixiado

Derrotado

Pós-ressuscitado

Sem identidade/ideologia – tudo e nada ao mesmo tempo

Na escatologia dos sentidos feridos apodrecidos

Vendido comprado semântico-pragmatizado perambulado

Pêndulo hesitante fugaz do instante momento mutante

Pós-modernizado

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Alguns versos para ti, Silvana! (Parte I)


JURAMENTO
Existirá flor mais pura
e mais bela que a minha?
Haverá amor maior neste mundo
do que o que vem de ti?

Juro por Deus que não!

Juro que és a mais pura,
a mais bela
e tens amor que transborda.

Juro por Deus que sim!

19/11/2008



ENTRELAÇADOS
Brotou...
Brotou!
Fez do meu coração ninho,
encheu-me de amor,
de carinho.

Cresceu...
Cresceu!
Mais frondosa que as altas copas,
mais viçosa que a esperança
em dias primaveris.

Eternizou-se...
Eternizou-se!
Na minha vida outrora tão vazia,
nas pegadas do destino
que a ventura encontrou.

Amor selado...
Amor selado!
Na aliança, no compromisso,
na história que escrevemos juntos,
unimo-nos como versos de um poema.

E agora...
E agora!
Tenho-te em meus braços,
em minh’alma, na doce espera,
em nossa vida que se entrelaça por amor.

19/11/2008



CUMPLICIDADE
Amanhã...
Amanhã, a tua vida, os teus sonhos
irão se revestir em ouro
e magia e anos e em mais e mais vida!

E ao teu lado estarei
até ao fim de meus dias,
serei tua companhia mais querida,
quando o sono faltar,
quando quiseres fazer especial o cotidiano,
quando um carinho tornar-se essencial,
quando o amor for o único motivo de nossas vidas.

Assim, viveremos em profunda gratidão,
cúmplices de nossos sentimentos,
de nossa intimidade,
de cada abrir e fechar de olhos
em cada calendário, em cada ano que se for,
em cada nova data que comemoraremos,
em cada sorriso e em cada nosso momento,
conhecendo-nos, querendo-nos para sempre.

19/11/2008

Respeito


Nunca fui politicamente correto. Nunca.

Pessoas não seguem bulas ou manuais de instrução, não são uniformizadas e nunca têm o mesmo pensamento.

No entanto, há sempre alguém querendo controlar, subjugar os outros. E esse mesmo alguém se acha no direito de manipular sentimentos, pensamentos e atos alheios.

Odeio pessoas assim, detesto! Considero indignas de viver.

Querem formas humanas, apenas. Nenhum conteúdo. Aparência e verniz, nada mais.

Liberdade de expressão. Liberdade de vida. Liberdade do espírito. Liberdade de cada um ser como é, sem discriminações e preconceitos.

Respeito ao diferente é tudo o que espero.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tempos felizes

Na verdade eu sei bem por que parei de escrever. Um temporal passou por mim nos últimos meses: excesso de trabalho, atividades cansativas e desgastantes (porém muito importantes) na universidade e decisões na minha vida pessoal.

No fim tudo terminou com um belo final-feliz, desses de cinema, digno de um Oscar: casei-me no dia 06/12/2008 com a Sil, meu amor; entreguei a pasta final de estágio e a monografia (inclusive apresentei esta no dia 01/12/2008), concluindo assim o ensino superior no curso de Letras na Universidade Severino Sombra.

Sei o que devem estar pensando: estou parecendo um egocêntrico, um metido à besta que só quer aparecer.

Pensem o que quiserem, não me importo. Estou feliz e quero me permitir estar feliz dizendo o motivo. Posso fugir às regras de vez em quando, não vejo nenhum mal nisso. Não sou taciturno e melancólico 24 horas por dia, não preciso ser assim.

Quero flores e abraços amigos. Quero que o sol bata na minha porta todos os dias (mesmo nos chuvosos).

Quero dizer: venci obstáculos, realizei sonhos, concretizei projetos.

Mas não vou me acomodar: há muito ainda a percorrer, a viver, a conhecer, a experimentar. Quero fazer tudo no tempo certo (o tempo de Deus).

O tempo de semear ainda não acabou. Logo será tempo de colher os frutos do trabalho árduo de cada dia. Mas não há pressa: o rio sempre segue o seu destino; a lua sempre vem à noite; a esperança sempre retorna a um coração angustiado.

A cada dia basta o seu esforço, portanto.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O retorno das palavras


Não sei por que parei de escrever...

Deixei acumular sentimentos, desejos, poemas, memórias, revoltas...

Tudo tem um preço, mas abdicar de escrever é como fazer jejum por tempo indeterminado – é morrer aos poucos.

Na verdade, a tormenta e a bonança deram-se as mãos e acabaram por entrar em um consenso. Nada mais que isso.

Sinto-me feliz. Casado. Formado. O mesmo Paulo Avila.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quero vida


No meio de tanta desgraça, quero amor.

Se isso ao menos não for possível, quero então o silêncio, o fim da agressão psicológica e das acusações desnecessárias de quem deseja se eximir de culpa.

Sim, quero silêncio e sono - nada mais...

Fechar os olhos é conhecer-se por dentro; abrir feridas é necessário quando se quer encontrar um caminho.

Quero amor, mesmo que amanhã o dia seja cinza, melancólico e sem vida. Mesmo que as pessoas não se olhem mais nos olhos, quero ao menos um sorriso de soslaio, um afeto, uma flor, uma fresta de sol por entre as nuvens carregadas.

Quero vida.

Nosso belo mundo


Não espere demais.

Depois da tempestade vêm os mortos e feridos.

Favelasassassinosalienação... cartão-postal do Brasil.

Massa muda miserável x corruptos impunes.

Adeus. Vou sumir daqui.

(Mais uma bala perdida, mais um morto encontrado, mais uma criança estuprada, mais um assassino perdoado – Direitos Humanos, pelo amor de Deus, Direitos Humanos para essa alma de Deus, respeitem o dom da vida! Converta-se ao Evangelho, fique de joelhos, esqueça seu passado, batizado, seu condenado! Fodam-se as famílias das vítimas. Aquele homem pervertido não existe mais – vá para a Igreja, vá para o céu, vá para qualquer lugar, vá levar a salvação aos seus irmãos enquanto os que não se arrependem vão para o fogo do inferno. Deus te ama e eu também, tudo posso naquele que me enriquece e me fortalece. Ore antes de dormir, ore ao acordar, ore por quem você matou, ore por quem não te perdoou, ore por um mundo melhor, ore para não cair novamente em tentação. Aquela menina até que é atraente: vou convertê-la. Aleluia, irmãos, aleluia! Mais uma alma fodida!)

Belo mundo o nosso...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

As desgraças alheias, a comoção nacional e os indiferentes em marcha


O homem estava deitado de bruços no chão e ninguém o ajudou. Tossia de quando em quando e a turba de indiferentes caminhava despreocupada como se ele não existisse. Parecia que ele não era um ser humano: algo como um entulho que obstrui o caminho. Muitos pulavam por cima dele e seguiam para o seu mundo estúpido, com o seu individualismo exacerbado, com o seu egocentrismo incomensurável.

Fiquei pensando: A desgraça dos outros não parece real para a gente, não parece tampouco digna de piedade.

O mundo acostumou-se a ter comoção pelo sofrimento alheio somente quando este é amplamente divulgado na mídia. Vítimas que aparecem na televisão são mais que vítimas: viram celebridades, mitos.

Já um desconhecido sem rosto e sem nome na rua ao nosso lado é algo pequeno e anônimo demais para se prestar ao trabalho de nos incomodar.

“Sua desgraça ainda não passou na televisão? Ele não se tornou famoso? Não passou na Rede Globo? Então não me interessa!” – parece um inconsciente coletivo sádico demais para minha sensibilidade.

Na verdade, sinto-me tão sujo quantos aos indiferentes sem alma e sem coração: vi, parei e pensei em fazer algo. Sei lá, qualquer coisa... Abraçá-lo, socorrê-lo, tentar levantá-lo, pedir ajuda. Mas a minha imobilidade e a minha falta de ação foram mais fortes do que a minha compaixão. Fui embora. As palavras indignadas que sempre escrevo não me servem para nada. Nunca serviram para nada e nem para ninguém.

E assim contribuí com um mundo pior. Infelizmente...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Retorno

Retornei hoje ao trabalho.

Sinto-me mais cansado e mais desanimado do que antes.

Queria sumir, fazer qualquer coisa que pudesse me deixar tranqüilo, sem pensar em nada que pudesse me aborrecer.

Quero ser algo que me dê orgulho, que não me faça arrepender de quem eu sou.

Talvez assim eu me sentiria mais feliz....

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Auto-aceitação


Não consigo fazer parte da felicidade que contagia a multidão.

Acho até empolgante, realmente interessante, mas não consigo contar piadas, dançar, gritar, extravasar como tantos fazem.

Não sou assim, sinto muito.

Se eu mudasse, transgredindo a minha natureza, tudo soaria tão falso, tão forçado, tão errado em mim!...

Prefiro ser um estrangeiro entre os meus, um exilado da minha gente, qualquer coisa que me agrade e não me faça ter vergonha ou pudor de mim mesmo (ainda que muitos não me aceitem como sou).

Basta-me ser eu mesmo para mim.

Acasos


Mais uma vez me vejo diante do mundo, distante de mim, configurando sonhos e revendo conceitos.

Abandonado pelo destino, inquieto, amadurecido pelo aprendizado do dia a dia.

Amante de quimeras, abstrato, absorto, sozinho na multidão.

Caminhando com as mãos no bolso, fugindo do frio e da chuva fina.

Viver parece acaso, ocaso, termo que nenhuma das partes assina.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Grotesco X Sensível


Aceito circunstâncias imutáveis.

Tento mudar rotinas de vez em quando.

Olho para dentro de mim sempre que me desconheço.

O que os outros pensam de mim nem sempre tem tanta importância assim.

Para muitos sou grotesco, para outros sou sensível ao extremo. Questão de ponto de vista. (Ou de convivência)?

Sou apenas eu mesmo, sem transparências e sem fotocópias.

Apenas eu mesmo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Revolução das idéias


Estou mais irônico do que o normal. Mas não será o nosso mundo a coisa mais cínica, imoral e suja que existe?

Enquanto muitos fingem que não há nada demais na desgraça humana que assola corações e mentes, prefiro acreditar que preciso continuar escrevevendo com sangue e versos a triste trilha sonora do pós-modernismo.

Por toda parte animais que se dizem humanos: idolatram o dinheiro, estupram crianças e mulheres, celebram todo tipo de preconceitos (contra o negro, contra a mulher, contra o jovem, contra o homossexual, contra o pobre, contra o desempregado, contra o que vive de miséria e de humilhação, contra o doente, contra o idoso, contra o difererente...). Querem pessoas uniformizadas por dentro e por fora, sem a sua individualidade respeitada, sem o direito de escolherem e serem livres.

O que eu tenho a ver com esses insensíveis desumanos?

Por enquanto, vou versificando o desencanto existencial, as quimeras impuras dos caminhos tortuosos, os corações secos e improdutivos... São sementes, apenas sementes, nada mais que sementes lançadas ao acaso, eu sei... A esperança está na UTI, entubada, mas sobrevive milagrosamente.


Mas chega a hora de agir... Eu, você e quem se acomodou com o absurdo do cotidiano... O que temos a ver com isso? Que posição tomaremos? Com que armas lutaremos? Até quando resistiremos? Por que ainda nos calamos? Que mundo queremos para nossas crianças? De que valores abrimos mão? Que preconceitos exaltamos? Que leis (religiosas, civis, jurídicas ou o que quer que sejam) usamos para matar e excluir? De que ordens podemos nos valer para libertar o ser humano que vive com a mente acorrentada em conservadorismos e leis que subjugam a essência individual que cada um tem dentro de si?

Assine tratados de paz, derrube do poder quem não respeita e não sabe o que significa ÉTICA, seja fora da lei se assim for preciso, seja contraventor pelo bem comum, saia da norma, seja politicamente incorreto num mundo de mentes hipócritas de direita que ainda pensam como nossos avós. Quero o novo no poder e nas consciências.
Estamos para começar uma guerra: a revolução das idéias dos que têm honra, sensibilidade e coração.



Remover os escombros. Salvar os feridos. Aprender com o passado. Cuidar do presente. Preparar o futuro. Plantar tolerância e esperança. Produzir amor. Gerar consciência. Formar e informar a partir da autonomia dos sujeitos.

Precisamos de mais gente para começar o nosso mutirão.

Há um mundo inteiro para recontruir.

$$$ Usados, comprados & perdidos $$$


Feito de carne. Resistente. À prova de muitas dores e crises econômicas. Agüenta mais que um camelo no deserto.

Inteligente? Um pouco. Faz quase tudo o que você mandar: rola, ri, pula, dá a mão...

Pode se corromper facilmente. Movido a dinheiro. Tração nas duas pernas. Possui duas faces que se alternam conforme as conveniências.

Custa o preço que você puder comprá-lo e já vem embrulhado para presente. E quase nunca tem crises de consciência, mas consertamos ou trocamos por outro modelo se ainda estiver na garantia.

$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

- Vou ficar com este, obrigado.

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(A vida humana não vale mais nada.)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Deformações sociais


Desconstruíram o ser humano.

Não vejo sua essência, apenas acaso e sarjeta.

A alma humana tem se sujado de lama constantemente. (Parece deformada.)

Alguém poderia me consertar? Minha alma partiu-se em duas, em três, em não sei quantas mais...

Só há o degredo e o segredo, o silêncio e a desonra, a culpa e a impunidade, a espera e a distância, a anistia e os mortos em nossa mente – estupro da consciência.

– Inocente, sou inocente!!! – grite vinte mil vezes, seu indecente, e fique aliviado.

Grite, seu filho da puta!

E continue corrompido, desde o berço até sua morte inglória.

Contribua assim para o mundo em que vivemos, sendo a lama da humanidade, a podridão da mente em toda a sua impunidade.

O que eu faço aqui? O que eu faço aqui? O que eu faço aqui?

(Eu devo ser mais um grande filho da puta corrompido pelo lugar-comum, pelas aparências malditas, pelo mal-estar que impregna toda a sociedade.)


O cristal humano se partiu.

Somos apenas cacos pelo chão.

Belezas do caos pós-moderno


O cara bateu na menina até ela sangrar e perder a consciência; depois estuprou-a, num ato próximo à necrofilia.

A menina é acusada de falta de decoro – há alguma coisa estranha.

Crianças desaprendem na escola.

Violência é o atrativo da semana.

Mais um acidente. Tantos curiosos à nossa volta. A desgraça virou programa de auditório.

Rostos sem nome, sem pernas, sem crânios, sem vida. Muito interessante.

A tragédia é mais bonita ao vivo do que na televisão.

A morte alheia é um espetáculo – Novo império Romano em praça pública. Circo sem pão.

Jogue seu avião no próximo prédio. Mate um recém-nascido jogando-o da janela do seu apartamento. Seja inconsciente de seus atos. Eu te perdôo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Não haverá amanhã para a criança no útero e nem para o jovem que perambula sem destino pela sujeira das grandes cidades. Dê ao primeiro uma navalha como seu primeiro brinquedo – será muito útil no futuro. Ao segundo dê uma arma e o abstenha de livros e de futuro.

Estes dias são insensatos e paradoxalmente comuns.

Talvez uma bomba atômica resolva o nosso problema (o caráter humano já se encontra em extinção).

Matem as vontades.

O sadismo social permanece – fetiche pós-moderno.

Não sinta, não reflita, não ame ninguém. Não vale a pena. Quem se aproxima é um estranho, pode ser o seu inimigo número um, nada mais.

Esconda-se no vazio de seu mundo super protegido de mentiras e ironias.

O amanhã é incerto e o pavio é curto.

Feche os olhos e durma para não morrer.

Sem ética, sem esperança, sem compaixão, insensíveis à dor e a tudo o que se tornou sensacionalista e comum... Prosseguimos mesmo assim, sem destino e sem grandes objetivos, sobrevivendo e não vivendo.

O mundo está um caos.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Divagações sobre o amor


Não há explicação para esse negócio chamado amor.

Ama-se e ponto final.

O coração bate descompassado, as palavras nos confundem, as mãos ficam trêmulas.

Quem já amou sofre por não ter dado certo e sonha em encontrar a pessoa certa. Quem ainda não amou idealiza o momento do encontro e vive ansioso – por causa disso acaba muitas vezes escolhendo a pessoa errada e se decepciona com o amor: “nunca mais amarei!”, garantem.

Na verdade o amor não é uma busca, é um encontro, muitas vezes casual, que pode ser precedida ou não por uma amizade, por uma coincidência do destino ou por afinidades (ou até mesmo desafinidades).

Não há uma receita para se amar alguem ou para que os outros nos amem.

A atração física pode até ser determinante em alguns casos, mas a descoberta de quem o outro é por dentro, a sua riqueza espiritual, a sua beleza de caráter são essenciais para que o amor seja uma chama que nunca se apague. A beleza é perecível ao tempo, mas a alma de alguém não se desfaz com o passar dos anos.

O amor é um bálsamo para o coração apaixonado, uma canção suave, um poema perfeito, um sorriso para dias tristes, um conforto para noites frias.

“Quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu”, bem disse Renato Russo, que sempre buscou um sentimento verdadeiro em sua vida. Não sei se ele se realizou afetivamente, mas teve coragem, não escondeu o que sentia, entregou-se até ao fim.

Na verdade, todo amor é entrega e dedicação.

Tenha suas experiências amorosas sem medo, mas só entregue o seu coração a quem de fato merece. E cuide bem do coração alheio. Não há nada mais desumano do que ferir um coração.

Ressuscitado... Amém.

Estava morto. Ressuscitei.

Quando não escrevo é como se eu não existisse.

Preciso pôr os pensamentos em ordem, organizar as palavras, expressar, sentir, conjeturar.

Não sou um profissional das palavras. Sou um amador: amo o que faço, embora aja por impulso e por intuição, sem me ater a crenças ou superstições.

Ressuscitei. Há vida em mim, perpetuada pelo gosto por escrever. Assim serei eterno.
Amém.

Alma escancarada

Estive longe.

Longe de quê?

Longe de mim...

Olho-me por dentro... A alma enrugada, o coração ansioso por nada aparentemente urgente, a vida calma, o tempo amigo-algoz.

Retornei. Reconheci-me. Re-amei-me.

Reproduzirei sonhos em palavras e versos incoerentes.

Deixarei a alma escancarada.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Buscando... O quê?


Busco inspiração no fundo de mim, no poço onde não se vê nada. Apenas escuridão.

As palavras são repetidas, tudo soa tão falso, tão insensato.

Talvez se eu morresse pela arte encontraria sobre o que escrever.

Mas se eu morresse não teria como escrever. Quero, portanto, vida. Vida pela e em nome da arte. Que arte?

Tudo em mim são trevas sem nome, sem origem e sem pátria.

... Mas...

Seriam as palavras arte? Ou seriam demagogia, mera especulação da realidade?

Talvez eu seja um fingidor, como afirmou Pessoa.

O que fazer então?

Por ora me basta escrever, mesmo sem ritmo, sem profundidade, sem paixão. As palavras devem falar por si.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Amar-te-ei


mar
amar
amarei
amar-te-ei
mais que amanhã
mais que para sempre
mais que a mim mesmo
amar-te-ei

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A arte de amar (num único ato)


Amar é o sentido do mundo. Às vezes faz sofrer, mas se o amor é verdadeiro, não deve e não pode causar dor.
De preferência é essencial que se beije de olhos abertos, que se deite na grama e conte estrelas, que se ofereça flores (mesmo as roubadas em qualquer jardim). É imprescindível que se escreva ao menos um poema a quem se ama (mesmo que não se saiba compor poemas, mesmo que seja um simples "eu te amo" numa folha amassada de caderno) ou que tenha uma canção a qual se possa chamar de "a nossa canção".
O importante é amar com o coração sincero. Se não se ama de verdade, logo a chama da paixão se apaga e a escuridão acaba por reinar, deixando-nos num labirinto sem enxergar a saída.
Não quero amar por um engano, por um acaso, por uma etapa, por uma mera formalidade.
Quero amar com fogo, com paixão, com tesão, com a necessidade de ser amado e de me doar a todo instante. Um único ato: amar e ser amado. O que foge disso é de procedência maligna (a arte de desamar, desalmado).
Por isso entrego o meu coração ao ofício, à arte, ao prazer, ao artesanato (ou o que quer que seja) do amor.

Amor possessivo (em três atos)


Ato 1:
Amavam-se. (Amavam-se?)
Ninguém sabia ao certo. A doença da posse assolara o coração do casal.

Ato 2:
Brigavam. (Brigavam? Mais que isso: esfolavam-se.)

Ato 3:
Última discussão. Lágrimas. Ofensas.
O menino matou a namorada por um ciúme banal.
Em seguida, arrependido, pulou da ponte Rio-Niterói.

Amor eterno (em três atos)


Ato 1:
Conheceram-se ainda jovens. Começaram a namorar. Compromisso. Mãos dadas.

Ato 2:
Juraram amor eterno diante do altar. Até que a morte os separe.

Ato 3:
Envelheceram juntos. Os filhos visitam o casal aos finais de semana. Os netos correm felizes no quintal.

Amor à primeira vista (em três atos)


Ato 1:
A menina olhou para o rapaz. O rapaz parou o seu olhar na beleza da menina.
Apaixonaram-se como nunca havia acontecido antes.

Ato 2:
Aproximaram-se. Um sorriso. Poucas palavras trocadas. Timidez. Rostos afogueados.

Ato 3:
Beijaram-se num beijo que selou aquela paixão sem explicação.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Único / Universal

Denuncia estereótipos ou falsas definições de ti.

Egolatra-te.

Ninguém te amará mais do que tu mesmo.

Podes e deves ir adiante.

Enfrenta o mundo.

Sê espelho e reflexo de ti. Descarta as aparências.

O que te dirão de ti mesmo não importa. Não mesmo.

O que importa é o que és e o que farás sem permissão alheia.

Sê único e universal.

Primavera em abismos


Há dias em que me sinto mais triste do que o habitual.

A primavera chegou sem sonhos, sem flores, sem ao menos a esperança do broto. Trouxe somente a chuva e o frio para coroar a monotonia nostálgica sem passado que me assola.

Sério. Não sei nada de mim que já seja passado. Talvez só saiba o que desejo.

E o que desejo?

Não sei. já senti. Serve isso?

Sinto-me nu em meio ao caos instaurado em meu espírito. Neblina, precipício e abismo por toda parte.

Segunda-feira.

O relógio passa. Minha agonia permanece.

Sufocado. A mente turva sem usar as drogas (que nunca experimentei) e os escapes do cotidiano.

Um pouco de música, por favor, mas em pequenas doses. Estou com dor de cabeça. Litros e mais litros de ânimo. Deixem-me no canto embriagado. Uma grande porção de esperança para o dia de hoje, mas coloque um pouco mais para viagem.

Não sei para onde eu vou. Sigo obstinado com ânsias de adolescente. Com o desejo enrugado, é verdade, mas ainda sentindo.

Sentindo o quê? Pensando em quê? Aspirando a quê?

Não sei e não importa.

Logo renasço mais uma vez.

(O sol surge tímido por entre as nuvens.)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Os verdadeiros amigos são eternos

Às vezes convivemos tanto tempo com alguém para percebermos quem essa pessoa é realmente.

Muitas vezes esperamos lealdade e sinceridade, mas recebemos tudo ao contrário: traição, maledicência, cinismo, aspereza, palavras e atitudes surpreendentes, que nos deixam decepcionados. E aí acabamos cometendo um erro ainda maior, dizendo coisas como: “De hoje em diante não confio mais em ninguém” ou “Quanto mais conheço as pessoas, mais admiro os animais”.


Perder o chão? Não mesmo.

Existem as pessoas em quem podemos confiar e as que – com o seu devido tempo – mostrarão quem realmente são.

Mas saber em quem podemos confiar não é algo que se descubra num simples olhar: “Quem vê cara não vê coração”, já dizia a sabedoria popular.

Por isso é um erro abrirmos nosso coração a qualquer um logo de início, fazendo a pessoa entrar sem mesmo pedir licença, revirando tudo o que tem lá dentro e causando tanto estrago.

Temos que aprender a deixar as pessoas entrarem em nossas vidas aos poucos. Um pouco de precaução nunca faz mal a ninguém, e evitará transtornos e decepções no futuro.

Só aprendemos assim, com os tropeços e os percalços no caminho.

Mas os verdadeiros amigos... Ah! esses ficarão para sempre em nossas vidas, mesmo que a distância venha a ser um obstáculo.

Amigos estão sempre em nossos corações. Eles entendem quem somos, há cumplicidade em cada palavra, em cada olhar, em cada abraço.


Os outros passam por nós como uma tempestade, deixam estragos, mas passam.

Amigos verdadeiros são como uma suave brisa pela manhã, uma doce melodia, um belo poema. Estão sempre prontos a nos ajudar em todos os momentos, curando as nossas feridas, enxugando as nossas lágrimas e nos fazendo sorrir novamente.

Amigos são presentes que Deus no deixou para dar sentido à nossa existência. Digo mais: amigos são as flores mais perfumadas que nascem em nosso jardim.


Então, cuidemos com carinho do nosso jardim.

Os verdadeiros amigos têm o dom da eternidade.

Ao vento...


AO VENTO...
Ao vento
vão-se as palavras,
vão-se os ideais,
vão-se os sonhos.

Ao vento
sorrisos,
olhares,
sentidos.

Ao vento
vem a esperança,
vem a bonança,
vêm as incertezas.

Ao vento
espero realizações,
despeço-me das coisas vãs,
adormeço na saudade.

Ao vento
algum presságio,
algumas histórias contadas,
algum tempo passado.


Ao vento
encontros,
cumprimentos,
despedidas.


Ao vento...
Ah! ao vento tudo se vai,
até as alegrias
e as tristezas.

Ao vento...

(Paulo Avila, 19/09/2008)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Quero dizer-te "Eu te amo"


Quero fazer deste dia, assim como de cada próximo dia que virá, mais um dia especial para viver intensamente meu amor por ti. E dizer “eu te amo” me enche de alegria e muita emoção, pois és a flor mais bela que apareceu em minha vida.

Obrigado por existires e fazeres parte de mim, por me fazeres tão feliz, amado e realizado.

Quero dizer-te “eu te amo” com um sorriso e um coração aberto.

Quero dizer-te “eu te amo” desde o nascer ao pôr-do-sol, quando eu acordar até ao adormecer.

Quero dizer-te “eu te amo” todos os dias, sem me cansar, suave, bem claro, olhando nos teus olhos, ao te beijar, ao te abraçar, ao sentir tua presença em minha vida.

Quero dizer-te “eu te amo” sem cair no lugar-comum, sem virar rotina, sem me cansar, por saber que tudo brota do meu peito de forma sincera e leal.

Quero dizer-te “eu te amo” com ternura, ao teu ouvido, bem baixinho, quando estivermos a sós.

Quero dizer-te “eu te amo” numa canção, num poema, no meu silêncio, no meu agir.

Quero dizer “eu te amo”, não apenas por dizer, mas porque és força que me conduz, brisa leve que me sopra o rosto dizendo coisas bonitas.

Quero dizer-te “eu te amo” por seres flor, e, por seres flor, seres digna de carinho, cuidado e veneração; por exalares perfume e alegria em toda parte; por me fazeres importante e querido; por me deixares ser EU.

Quero dizer-te “eu te amo” por seres anjo que me acolhes, me abrigas e me dás paz; por me dares luz, afago e calor.

Quero dizer-te “eu te amo” em todo e cada momento e assim sentir que juntos nos tornamos um único Coração num único amor.

EU TE AMO!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O Poeta


O poeta faz da sua poesia um instrumento para expressar os seus sentimentos, para se libertar, para gritar a sua existência, para refletir sobre a vida.

Poeta é aquele que vê beleza e poesia na lua, nas estrelas, no barulho da chuva; que pensa com o coração e quase não usa a razão; que se emociona facilmente com romances, com canções nostálgicas, com a inocência de uma criança, com um retrato da infância; que acredita em amor perfeito (à primeira vista e, muitas vezes, platônico), em sorrisos sinceros, em abraços calorosos, em paixões fulminantes; que encontra beleza no silêncio, na solidão, no vai e vem das pessoas; que beija de olhos fechados, que sabe o valor de ter amigos, que gosta do gosto de lágrimas, do pôr do sol, do canto dos pássaros, do vento que balança as folhas das palmeiras e o cabelo da menina na praça; que acredita na vida, na esperança (embora sofra), nos seus sonhos tortos; que não suporta pessoas intolerantes, injustas, cruéis, preconceituosas; que ama as pessoas sensíveis, simples, inteligentes, abertas ao novo, repletas de compaixão.

Enfim, poeta é aquele que acredita no AMOR, em todas as suas formas, com simplicidade de coração.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Fechado


Hoje não estou para ninguém. Estou fechado para balanço, para reformas, para qualquer coisa parecida ou que me seja conveniente.


Pareço uma bomba-relógio, uma panela de pressão prestes a explodir.

Não me importunem, deixem-me quieto no meu canto. Estou irritado e algum comentário inoportuno pode acender o pavio da aspereza, coisa rara em meu temperamento.

Não gritem perto de mim, não insistam com coisa alguma, não peçam dinheiro emprestado, não tentem me agradar, não me desmintam, não me deixem nervoso, não me provoquem. Hoje quero ficar em paz, sem olhares a minha volta, sem gente esquisita, sem petulantes que não se percebem inconvenientes.

Deixem-me em paz, pelo amor de Deus!
Hoje não estou para ninguém.


terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sobre a inspiração e a eternidade dos versos


EM BUSCA DA INSPIRAÇÃO
Rabiscos soltos no papel,
palavras a serem ditas
ainda sem vida.

Folhas amassadas,
dispensadas e jogadas
na lixeira.

A inspiração teima em fugir
enquanto a caneta aguarda
ansiosa
a magia de um verso
que ganha vida no papel.

As mãos vacilam, tremem...
Eis o drama do poeta
que deseja criar
mas não consegue.

Fica o silêncio
ecoando alma e coração,
poesia que grita em desespero
nos pântanos da criação.

E quando menos se espera
faz-se luz em meio a trevas
na loucura da consciência.

Os versos surgem finalmente,
pululam no papel livremente
como por obra de um milagre.

Trazem magia e encanto,
como água pura da fonte
embriagando de paixão
o seu desejo puro e voraz.

O poeta busca a eternidade...

(Paulo Avila, 2006)

Tudo a seu tempo


TEMPO
As folhas caem,
as lágrimas cessam,
a dor passa
a seu tempo.

As crianças crescem,
os jovens se enamoram,
os idosos ensinam
a seu tempo.

As sementes germinam,
a chuva vai e vem,
as flores desabrocham
a seu tempo.

Os sorrisos se alargam,
a esperança renasce,
um novo dia nasce
a seu tempo.

O perdão suaviza,
o amor acalma,
a amizade fortalece
a seu tempo.

A seu tempo haverá
hora de chegar,
hora de partir,
tempo completo de viver.
(Paulo Avila, 2006)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Egocentrismo


Anseia por vida, ainda que sedento em meio a um deserto de mágoas e ilusões.

Logo aparece um oásis e serás saciado.

Não te prometo nada.

Faze mais por ti mesmo.

Reconstrói o pensar, revitaliza o coração, alimenta a alma com bons livros e boa música.

Viaja mais, mesmo que seja para o mais íntimo de ti: conhecer pessoas e culturas novas é importante, mas nada se compara ao teu autoconhecimento.

Renova-te uma, duas, três vezes. Renova-te quantas vezes for necessário, mas não abra mão dos teus valores, dos teus desejos, da tua individualidade. Ninguém sabe o que é melhor para ti do que tu mesmo.

Não aceites sugestões, nem de mim nem de quem quer que seja. Seja teu próprio guia; constrói tua identidade, tua ideologia.

Caminha, faze teus passos com o teu cansaço, com a tua luta, com a tua vontade.


O que pensam de ti não importa. O que importa é o que és, o que guardas no teu íntimo, o que aprendeste ao longo desta vida e o que podes fazer para continuar crescendo, para contribuir com um mundo melhor.

Sê intuitivo, sensível, racional e emotivo (o mais emotivo possível).

O resto não importa. Rasga tudo o que te mandaram e não queres fazer. Ignora este texto e tantos outros se assim te convém: escreve tua própria lei, transgride hipocrisias oficiais, descarta crenças superficiais.

Sê tua própria crença, sê tua religião, sê forte e capaz de ultrapassar limites.

Direciona tua própria história e te permitas mais. Quebra a casca e alça teu vôo solo. Mesmo que caias, levanta e tenta novamente.

Formula tua própria ideologia.

Às vezes para sermos nós mesmos é preciso enfrentarmos o mundo inteiro.