sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Revolução das idéias


Estou mais irônico do que o normal. Mas não será o nosso mundo a coisa mais cínica, imoral e suja que existe?

Enquanto muitos fingem que não há nada demais na desgraça humana que assola corações e mentes, prefiro acreditar que preciso continuar escrevevendo com sangue e versos a triste trilha sonora do pós-modernismo.

Por toda parte animais que se dizem humanos: idolatram o dinheiro, estupram crianças e mulheres, celebram todo tipo de preconceitos (contra o negro, contra a mulher, contra o jovem, contra o homossexual, contra o pobre, contra o desempregado, contra o que vive de miséria e de humilhação, contra o doente, contra o idoso, contra o difererente...). Querem pessoas uniformizadas por dentro e por fora, sem a sua individualidade respeitada, sem o direito de escolherem e serem livres.

O que eu tenho a ver com esses insensíveis desumanos?

Por enquanto, vou versificando o desencanto existencial, as quimeras impuras dos caminhos tortuosos, os corações secos e improdutivos... São sementes, apenas sementes, nada mais que sementes lançadas ao acaso, eu sei... A esperança está na UTI, entubada, mas sobrevive milagrosamente.


Mas chega a hora de agir... Eu, você e quem se acomodou com o absurdo do cotidiano... O que temos a ver com isso? Que posição tomaremos? Com que armas lutaremos? Até quando resistiremos? Por que ainda nos calamos? Que mundo queremos para nossas crianças? De que valores abrimos mão? Que preconceitos exaltamos? Que leis (religiosas, civis, jurídicas ou o que quer que sejam) usamos para matar e excluir? De que ordens podemos nos valer para libertar o ser humano que vive com a mente acorrentada em conservadorismos e leis que subjugam a essência individual que cada um tem dentro de si?

Assine tratados de paz, derrube do poder quem não respeita e não sabe o que significa ÉTICA, seja fora da lei se assim for preciso, seja contraventor pelo bem comum, saia da norma, seja politicamente incorreto num mundo de mentes hipócritas de direita que ainda pensam como nossos avós. Quero o novo no poder e nas consciências.
Estamos para começar uma guerra: a revolução das idéias dos que têm honra, sensibilidade e coração.



Remover os escombros. Salvar os feridos. Aprender com o passado. Cuidar do presente. Preparar o futuro. Plantar tolerância e esperança. Produzir amor. Gerar consciência. Formar e informar a partir da autonomia dos sujeitos.

Precisamos de mais gente para começar o nosso mutirão.

Há um mundo inteiro para recontruir.

Um comentário:

Marcelo disse...

Pois é, Paulo.
O discurso de filhos da revolução é legal, mas a coisa é masi complicada do que parece. Concordo com você quando diz que a esperança está numa UTI. Mas será que não é lá que toda a esperança mora?
Uma reflexão mais acurada e menos passional da vida nos coloca de frente a um mundo seco números que enchemos de letras para fazer poesia. Mas no fundo mascaramos um monte de merda com fitinhas de cetim.
O seu discurso é muito bonito, mas quando desviamos a vista da tela do PC, deparamo-nos com a realidade e a aporia do dia-a-dia. E nos resta o quê? Voltar a UTI para tomar conta da dona esperança que dará os seus sinais débeis de vida ad infinitum.
Abraços

Marcelo Leite